quarta-feira, 14 de julho de 2010

O néctar dos Deuses


A Bairrada já terá sido afinal no passado uma terra de passagem e de conquistas, de lutas entre cristãos e árabes, aquando da formação de Portugal e numa altura em que a capital do reino era Coimbra. Marco na história da região é ainda o combate contra os exércitos invasores de Napoleão, na serra do Bussaco.
Reflexo de todas as convulsões históricas, mas também factor de desenvolvimento económico na região é a actividade vitivinícola da Bairrada. Reza a história que já no século XIX, os viajantes vinham a estas paragens para degustarem as iguarias gastronómicas e báquicas. Mas a existência de vinhedos na Bairrada remonta a origens mais longínquas.
É no século XII que D. Afonso Henriques autoriza a plantação de vinhas na região, a troco de uma parte do vinho produzido. Seis séculos depois, uma ordem do Marquês de Pombal determina o arranque de uma parte da vinha. Terá sido ainda no século XVIII, já no reinado de D. Maria I, que é autorizado novamente o plantio de cepas, permitindo o repovoamento na região.
Quanto à origem da designação Bairrada, os eruditos entendem que está relacionada com as características do solo da região, onde o barro é um elemento predominante.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Não o compreendi...




O estrangeiro
"Quando nos vestimos na praia, Marie olhava-me com olhos brilhantes. Beijei-a. A partir desse momento, não falamos mais. Apertei-a contra mim, e tivemos pressa de encontrar um ônibus, de voltar, de ir para a minha casa e de nos atirarmos na minha cama."

Este pequeno enxerto do livro induz-nos a um erro, relativamente às emoções da personagem principal - Mersault. Nele tudo é diferente.
Quando li o estrangeiro, não o compreendi.A falta de sentimentos, a indiferença perante a morte da mãe, provocaram-me um mal-estar.
Agora entendo que Camus criou uma personagem com uma visão incomum em relação à nossa existência. A própria vida do autor foi marcada pelo absurdo da existência.

Camus morreu em 1960 vítima de um acidente de automóvel. Em sua maleta estava contido o manuscrito de "O Primeiro Homem", um romance autobiográfico. Por uma ironia do destino, nas notas ao texto ele escreve que aquele romance deveria terminar inacabado. Ao receber a noticia da morte de seu filho, Hélène Camus apenas pode dizer: "Jovem demais." Por coincidência ela também morre no mesmo ano que seu filho: 1960.

Uma curiosidade sobre o acidente de automóvel: Camus não deveria ter feito a viagem para Paris de carro junto com os Gallimard (Michel, Janine e a filha deles Anne). Ele iria fazer esta viagem com o poeta René Char, de trem. Mas, por insistência de Michel, ele resolve ir de carro com eles. Char também foi convidado, mas não quis lotar o carro, além de já haver comprado sua passagem (Camus também já tinha seu bilhete de trem comprado quando foi convencido a ir de carro). No acidente de automóvel o Facel-Véga de Michel se espatifou contra uma árvore. Apenas Camus morreu na hora. Michel morreu no hospital 5 dias depois. O relógio do painel do carro parou no instante do acidente: 13h 55 minutos.

domingo, 27 de junho de 2010

piano

Nunca pintei sonhos...


Frida Kahlo
De início, Frida Kahlo foi conhecida por ser a mulher de Diego Rivera, o grande muralista mexicano. Actualmente não sei bem se não se falará de Rivera como marido de Frida…
Uma vida espantosa, de um horroroso sofrimento físico mas uma vitalidade e energia que tudo ultrapassava. Ainda pequenina com 6 anos teve uma poliomielite, que a deixou coxa, mas mais grave do que isso foi um acidente que sofreu aos 18 anos que a deixou com lesões terríveis para toda a vida e a obrigava a ficar presa à cama frequentemente. Começou contudo a pintar, olhando-se a um espelho que a mãe pendurou por cima da sua cama. Muitas das suas pinturas são auto-retratos, ela dizia: "Eu pinto-me a mim própria porque estou muitas vezes sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor"
Aos 22 anos casa com Diego Riviera vivendo uns amores também de furor, tumulto e sofrimento. O marido tinha várias amantes, e Frida vingava-se pagando-lhe na mesma moeda. Morreu com 47 anos e deixou uma pintura de grande violência e fantasia, mas que ela declarava não ser surrealista.

Fonte:Emiéle


“ Nunca pintei sonhos, só pinto a minha própria realidade”

Esta é uma frase para se reflectir. Quando vi o filme da vida dela senti um nó na garganta. E quando me sinto assim, fico a pensar durante muito tempo...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

terça-feira, 22 de junho de 2010

Sexualidade reprimida



ESPLENDOR NA RELVA


No final da década de 20, o amor de um jovem casal de namorados é posto à prova perante a pressão das famílias e da sociedade da pequena cidade onde vivem. Quando se dá a queda da bolsa em 1929, a vida das duas famílias e a dos dois jovens altera-se por completo.
Produzido numa época de mudança (quer da industria cinematográfica, quer da sociedade norte-americana), Esplendor na Relva é um olhar sobre a intensidade do primeiro amor e a repressão sexual imposta pela sociedade.

O filme fala do amor claustrofóbico que não pode dar razão à sua força. Uma sociedade casta de aparência nega-os a serem eles próprios.

A real escolha não existe e por vezes escolhe-se o que é mais fácil, mas não o que se deseja.

Ainda hoje a sociedade penaliza certos amores...

O brilho no olhar...

"A luz que brilhava tão intensamente
Foi agora arrancada dos meus olhos,
E embora nada possa devolver os momentos
De esplendor na relva e glória nas flores,
Não sofreremos, melhor,
Encontraremos força no que ficou para trás."


poema de Wordsworth